Cartografias da (in)visibilidade: os arranjos entre o design e a saúde brasileira

Tese de Doutorado

Autoria: Camille Moraes

 

A pesquisa parte da reflexão sobre o papel do design(er) em tempos turbulentos, orientando-nos por questões da invisibilidade, especificamente no jogo semântico visível-invisível. A partir da leitura inspiradora de Donna Haraway, trabalhamos com o conceito de simpoiésis com o objetivo de refletir sobre alternativas voltadas para as práticas de design, para além das abordagens “clássicas”. Nesse sentido, sinalizamos a necessidade da investigação de meios para tornar invisíveis as fronteiras entre campos como um possível caminho para a resistência e resiliência em cenários de turbulências. A saúde brasileira é o foco da experimentação simpoiética do design por trazer consigo um emaranhado de complexidades, da qual a palavra “participação” surge de forma bastante emblemática, já que o sistema de saúde brasileiro é universal e gratuito, prezando pela partição popular dentre suas diretrizes. Assim, “participar” torna-se palavra-chave, ou melhor, verbo-chave, quando estamos tratando de práticas relacionadas à saúde. Entretanto, a participação é prejudicada pela problemática da invisibilidade social, tendo consequências complicadas para as tomadas de decisão nas políticas públicas de saúde, pela dificuldade em se criar ações que poderiam dialogar e ouvir as vozes dos diversos segmentos da população. Com base nessa problemática, buscamos investigar caminhos, por meio da pesquisa-intervenção apoiada por cartografias, dispositivos de conversação e ferramentas de projeto colaborativas, que contribuam para tornar visíveis pessoas antes esquecida pelo Estado. O local de experimentação é a Clínica da Família situada na região do Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, localidade que sofre com turbulências bastante complexas. Em resumo, a pesquisa está embasada por experiências que possam tornar cidadãos visíveis para as políticas de saúde brasileiras, por meio da formação de arranjo entre disciplinas para “tornar invisíveis” as fronteiras entre os campos do Design e da Saúde.

Esdi Aberta: design e (re)existência na Escola Superior de Desenho Industrial

Dissertação de mestrado

Autoria: Juliana Paolucci

A pesquisa aqui apresentada trata do movimento Esdi Aberta, articulado na Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi) em 2017 em decorrência da crise da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A Esdi, pioneira no ensino superior de Design no Brasil, consiste em uma unidade da UERJ, instituição pública e de ensino gratuito financiada pelo Governo do Estado. Em 2017 a universidade sofreu, de modo árduo e inédito, com a ausência de condições mínimas para manter suas atividades regulares devido ao atraso no pagamento de bolsas de estudo e do salário de professores e técnicos, além da subtração de verbas destinadas à manutenção e à infraestrutura. Frente à crise da UERJ – e, portanto, da Esdi – alunos, ex-alunos, professores, técnicos e voluntários se dedicaram a articular modos de manter a escola aberta e ativa. Foram experimentadas alternativas de gestão, ensino e troca de conhecimento ante à instabilidade e aos desafios que surgiam com frequência. Para além de um movimento de resistência, o Esdi Aberta buscava novas formas de existência. Neste trabalho, visa-se não apenas registrar esse momento da escola, mas também provocar questionamentos sobre o que pode ser feito para que seja possível, no Brasil, um futuro do qual a Esdi e o ensino superior público gratuito façam parte.

Projeto do chão: Uma leitura atravessada entre arquitetura e paisagem no Rio de Janeiro

Tese de Doutorado

Início: 2018
Término: –

 

A pesquisa procura contribuir para ampliação da cultura de projeto, revisando seus dispositivos através do entendimento do chão como categoria operativa. O projeto de pesquisa busca, a partir da análise sistemática dos casos recortados, conceber metodologias de trabalho e ensino de projeto, incorporando o desenho do chão como responsabilidade do arquiteto. Qualificar o chão é o desafio colocado. Preparar disponibilidades parece ser seu grande potencial e a cidade do Rio de Janeiro terreno fértil para estudá-lo. Pensar os critérios que legitimem uma coexistência entre o fato construído e o terreno que se implanta é tarefa do arquiteto na cidade contemporânea.

As Políticas de Design e suas Reverberações no Espaço Público

Tese de Doutorado

Autoria: Paula de Oliveira Camargo

Início: 2017
Término: –

O projeto visa buscar os desdobramentos da adoção de políticas públicas de Design na cidade do Rio de Janeiro. Especificamente, será estudado o caso da criação do Centro Carioca de Design e sua relação com o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade.
Para aprofundar a análise dessa experiência poderão ser selecionados, também, casos de locais onde foram realizadas políticas públicas de design, buscando avaliar os impactos das mesmas para o ambiente urbano em que se inserem.
A pesquisa pretende, assim, estabelecer correlações entre a implementação de tais políticas e a transformação dos espaços nas cidades, com foco na cidade do Rio de Janeiro.

Maravilha, mas pra quem? Cofotografia na região portuária do Rio de Janeiro

Dissertação de Mestrado

Autoria: Philippe Leon Anastassakis

Diante das questões emergentes pelas grandes transformações urbanas do Rio de Janeiro na última década, este trabalho investigou as potencialidades de uma fotografia colaborativa. Ele parte, portanto, de duas hipóteses, a saber: a primeira, de que a fotografia – historicamente ligada a um fazer individual – poderia ser realizada de forma colaborativa. A segunda, de que a reestruturação urbana realizada na região do Porto do Rio de Janeiro seja um projeto, sobretudo, de imagem, como estratégia de venda da região para investidores. E, diante dessa hipótese, investiga quais imagens se contrapõem ao imaginário mercantil e levantam questões emergentes da população e dos grupos culturais diretamente afetados por estas transformações. O cruzamento dessas duas questões constrói a complexidade deste trabalho. Inicialmente, foram realizadas pesquisa histórica sobre a região e pesquisa teórica sobre os processos colaborativos no design e na fotografia. Ao final, utilizando as ferramentas do codesign, foram desenvolvidos jogos com imagens sobre a região que serviram para gerar diálogo, levantar questões e imaginar futuros, em um exercício que foi denominado cofotografia.

A Função do Design como Ferramenta para o Resgate da Cultura Afro na Ressignificação dos Negros em um Brasil Contemporâneo

Tese de Doutorado

Autoria: Nilmar Figueiredo de Souza

Início: 2018
Término: –

Presente em diversos aspectos na vida dos seres humanos, o design através de sua manifestação em objetos e imagens, contribui para que os indivíduos se afirmem dentro de grupos sociais e culturais. Nesse contexto, faz-se necessário o melhor entendimento das possibilidades de associações entre aspectos físicos (adornos), culturais simbólicos e a sua entrada no processo de resgate de valores. A presente proposta de projeto busca investigar a função do design e da estética do objeto, como ferramenta junto ao movimento negro na busca pelo empoderamento para ressignificação do indivíduo negro na sociedade contemporânea brasileira. O conceito de empoderamento e ressignificação torna-se o fio condutor desta análise, onde além do cabelo, signo de negritude, outros adornos de origem africana como: joias, objetos, estampas e cores, deixam de ser elementos negativos e se ressignificam na diáspora como impulsor do enfrentamento ao racismo na busca pela equidade, ao assumir a função de ferramenta para afirmação da raça no país. Desse modo, a pesquisa buscará entender, de forma complementar, que o resgate da origem étnica dos africanos trazidos para o Brasil ressurge na contemporaneidade, como um signo de apropriação da negritude brasileira, anteriormente negado e silenciado pelo padrão eurocêntrico de beleza.

Jogos: viabilizando engajamento e facilitando diálogos em processos de codesign

Dissertação de mestrado

Autoria: Larisa Paes

Início: 2015
Término: 2017

O presente trabalho discute de que modo jogos de design podem facilitar a pesquisa em processos de codesign a partir de uma experiência em que a autora se descreve ao mesmo tempo como pesquisadora e participante de um projeto de cooperação internacional realizado em 2015. Em um primeiro momento, é retratada uma parceria entre dois laboratórios de pesquisa, o Center for Codesign Research (CODE, Dinamarca) e o Laboratório de Design e Antropologia (LaDA, Brasil), para então delinear de que forma essa aproximação viabilizou seis experimentos de codesign em três bibliotecas públicas do Rio de Janeiro (Biblioteca Parque Estadual, Biblioteca do Museu de Arte do Rio de Janeiro e Biblioteca da Prainha). Nesse sentido, quatro dos experimentos mencionados utilizaram jogos de design em seus contextos de pesquisa, os quais se tornaram objeto de estudo desta dissertação. Sendo assim, a partir de uma revisão acerca de características de quatro jogos de design elaborados previamente na Dinamarca, tanto quanto através da análise documental e da rematerialização dos experimentos brasileiros de codesign, é observado como os jogos concebidos nestes processos atuaram também como plataformas de colaboração. Nesse âmbito, a presente pesquisa não somente demonstra como jogos podem ser utilizados como meio de viabilizar engajamento e facilitar diálogos em processos de codesign, como também apresenta parâmetros que podem ser utilizados como ponto de partida na concepção de jogos de design em processos colaborativos.

A política afirmativa e a Esdi: o efeito das cotas em uma escola de Design

Tese de Doutorado

Autoria: Imaíra Portela de Araújo Medeiros

Início: 2018
Término: –

A literatura disponível indica que ao longo do processo de institucionalização do design no Brasil, a criação da Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi) em 1962 se deu de maneira controversa. Por um lado nota-se a crítica ao modelo pedagógico advindo da HfG-Ulm e de um modelo de ensino “de costas para o Brasil” (Leite, 2006). Por outro lado, apontam-se para os embates internos e externos desde o momento da fundação da Esdi nos quais já se insinuava a questão da identidade nacional (Souza, 1996) (Anastassakis, 2011). A narrativa sobre uma considerada elite intelectual e financeira no corpo discente da escola também é recorrente (Souza, 1996) (Sacramento, 2005).
Todavia, o quadro de alunos da Esdi mudaria a partir de 2003, ano em que a UERJ adotou pela primeira vez uma medida que contemplava grupos raciais específicos para o acesso ao Ensino Superior. Com isso, um grupo de alunos diverso em muitos aspectos do corpo discente habitual, passou a participar do cotidiano da universidade.
Dada esta conjuntura, pretende-se desenvolver um mapeamento sobre a origem dos alunos cotistas da ESDI/UERJ, seus interesses e expectativas para a entrada no curso, acompanhando a sua trajetória no Ensino Superior. Também é de interesse investigar a maneira com que o conhecimento adquirido na academia se conjuga com o repertório de experiências desses estudantes, de que forma as narrativas sobre cultura, identidade, representatividade e pertencimento aparecem durante sua trajetória no curso de design.
Outro fato motivador é a crise institucional pela qual a UERJ vem passando, intensificada desde o ano de 2016, com o atraso de salários de professores e servidores e ainda o atraso de bolsas permanência para alunos cotistas, que acabou por alavancar na Escola diversos movimentos de resistência. Mais amplamente, a ameaça ás políticas afirmativas tem se tornado mais fortes com o avanço e tomada de poder por governos conservadores, tornando de extrema importância a sua comunicação e visibilização.
A aproximação da academia com pessoas outras origens, que transitam em outros espaços que não as elites, estando muito mais na periferia, é também uma forma de atualizar o design frente às necessidades reais dessas comunidades e frente ao papel social que a Universidade desempenha.Lançar luz sobre este cenário é também uma forma de registrar e gerar informação sobre práticas pedagógicas e como os métodos de ensino e aprendizagem de design reverberam em outros contextos.

Estamparia de chita: uma análise gráfica

Dissertação de mestrado

Autoria: Aline Costa Miguel

A pesquisa propõe uma investigação, através de um recorte histórico, sobre o tecido de chita, importado da Índia, e sua apropriação pelos brasileiros. Observaremos sua transformação, ao longo dos anos, de um de tecido de origem popular até seu uso nas passarelas da moda, através de questões referentes aos aspectos estéticos e técnicos. Uma matriz de análise gráfica será apresentada por meio do estudo sobre formas, cores e relação criativa de elementos visuais predominantes nesta estampa desde os anos 1960 até a atualidade. Apesar de ser notória a influência da chita na cultura brasileira, há poucos registros bibliográficos de sua história e de seu desenvolvimento gráfico. Além disso, esperamos que a matriz analítica proposta possa ser utilizada para além da investigação da chita, tendo seu aproveitamento no exame de outras padronagens gráficas em uma contribuição para os estudos na área de Design de Estamparia.

Desenhando com o corpo: reflexões sobre outras perspectivas de ação e de criação

Tese de Doutorado

Autoria: Ilana Paterman Brasil

Início: 2017
Término: –

Tendo como ponto de partida o questionamento proposto pela filósofa Isabelle Stengers, de um retorno ao animismo como caminho possível para a atual crise da sociedade ocidental (STENGERS, 2012), esta pesquisa de doutorado em Design sugere de uma investigação de ações e interações cotidianas, com o intuito de refletir sobre potências e sensibilidades acerca do corpo, tanto nos processos de criação quanto nos produtos e tecnologias da nossa sociedade. A crítica ao desenvolvimento tecnológico ocidental se faz presente, pois tem como base a superação dos limites do corpo, visto como o “outro” desde o racionalismo cartesiano. Uma alternativa sugerida nesta pesquisa é a observação de ações e interações em culturas não-ocidentais, que preservam e atualizam “válvulas de escape” aos condicionamentos recorrentes no pensamento projetual contemporâneo. O Brasil, nesta perspectiva, torna-se celeiro promissor de tais observações e questionamentos. As culturas indígenas originárias e as de matriz africana resistem e coexistem em uma dominância eurocêntrica que, politicamente, torna essa resistência cada dia mais fragilizada.

Além da investigação teórica, a pesquisa desenvolve-se em um processo prático de comunicação visual. Movimentos corporais, danças, gestos e interações corpo-natureza de culturas brasileiras de matriz africana são registrados e desenhados quadro a quadro, em animações a aquarela e carvão, permitindo, em um primeiro plano, o destaque visual ao corpo observado; e, em segundo plano, que a pesquisadora crie com seu próprio corpo, desenvolvendo habilidades e interagindo diretamente com ferramentas de criação.

Correlações entre a extensão universitária e o design

Dissertação

Autoria: Victor Silba

Início: 2019
Término: –

Este resumo apresenta-se como a introdução parcial de uma pesquisa de mestrado que tem como objeto de estudo as relações entre a extensão universitária desenvolvida em universidades de design e os projetos de extensão em desenvolvimento na Escola Superior de Desenho Industrial – ESDI/UERJ. Sob à Luz das diretrizes de extensão da UERJ, este projeto tem como objetivo pragmático o fortalecimento das atividades de extensão na ESDI, bem como solidificar uma reflexão sobre a prática extensionista no campo do design.

Orientado pela professora Dra. Barbara Szaniecki, iniciamos o projeto fazendo um mapeamento sobre as atividades extensionistas em atual desenvolvimento na universidade. O mapeamento apresentou inconsistência de dados entre as 4 plataformas pesquisadas (Plataforma Lattes, Site Institucional ESDI, Mostra de Extensão da UERJ – UERJ Sem Muros e documentos da Sub-Reitoria de Cultura e Extensão da UERJ – SR3). Com a intensão de solidificar este panorama, iniciou-se uma série de entrevistas com os coordenadores de extensão previamente identificados.

Em paralelo a isto, a constante busca por referencial teórico leva a assuntos que poderão se tornar capítulos da dissertação a ser defendida em março de 2021: concepções como a importância da extensão na formação profissional dos discentes e o impacto que estas ações têm no aprendizado, na sociedade e na consolidação de uma universidade mais democrática e autônoma serão abordados com maior profundidade durante o percurso. Metodologias participativas e suas potencialidades para integrar saberes internos e externos a universidade também são temas de interesse a serem destacados.

Como referenciais teóricos da extensão pretende-se utilizar autores como Paulo Freire e Michel Jean-Marie Thiollent. Reflexões sobre a prática e interações vivenciadas em campo serão fundamentadas com o uso de autores como Jonh Dewey e Donald Schon (prática reflexiva).
Tenho como meta, ressaltar a importância do design enquanto método para a sistematização de processos e como isto pode influenciar na consolidação, reconhecimento e validação das atividades extensionistas.

Dispositivos de conversa como pesquisa-intervenção: encontros entre psicologia e design

Pós-Doutorado

Autoria: Talita Tibola

Início: 2015
Término: –

A pesquisa investiga metodologias participativas e colaborativas ligadas ao Codesign e Design Anthropology realizando uma aproximação dessas com metodologias do campo da Psicologia Social Institucional, de modo mais específico da pesquisa-intervenção. A partir de experiências em sala de aula e cursos livres propõem-se intervenções na cidade, em comunidades ou em situações coletivas específicas, onde instiga-se o/a pesquisador/a a colocar-se num lugar de experimentador/a em parceria com os diferentes atores envolvidos, tirando-os do lugar de especialistas e solucionadores de problemas. Com esse intuito investiga-se a elaboração de “dispositivos de conversa” que funcionem tanto como ferramentas para mapeamento e análise de controvérsias quanto como viabilizadores de debates e disparadores de imaginários coletivos que percorram a sabedoria das pessoas sobre os problemas que vivem.

Entrelaçando Design com Antropologia: Engajamentos com um grupo de moradores do bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro

Tese

Autoria: Maria Cristina Ibarra

Início:
Término: 2018

Esta tese investiga a relação do design e da antropologia por meio da experiência de uma designer com um coletivo de moradores interessados em minimizar a violência no bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro. Em primeiro lugar, baseada na pesquisa de mestrado, em que se analisaram os artefatos produzidos e pensados por não-designers das ruas de Belo Horizonte, foi realizada uma aproximação gradual com autores da antropologia e do design que valorizam o trabalho e o saber dos não-designers. Como segundo momento, se identificou o engajamento com o Coletivo Santa sem Violência (CSSV) organizado por moradores do bairro de Santa Teresa do Rio de Janeiro preocupados com o incremento da violência na área. Ao longo da pesquisa de campo foram realizadas múltiplas atividades que podemos classificar em duas: coleta de dados e participação ativa das reuniões e ações realizadas pelo CSSV em espaços públicos. Após quase um ano de trabalho junto com os membros do Coletivo, os dados foram analisados à luz de abordagens do design e da antropologia. A partir do ponto de vista do design destacam-se temas como: Design Anthropology, Design Participativo, Adversarial Design e Design Ativismo. Pelo ponto de vista da antropologia: esperança, correspondência e autonomia. Esta análise permitiu a construção de reflexões que podem servir de base para futuros engajamentos de designers com comunidades.

Design, democracia e cidadania: a experiência do Círculo de Cidadania do Bairro de Fátima e Vizinhanças no Rio de Janeiro

Dissertação

Autoria: Liana Ventura

Início: 2016
Término: 2018

Questões sobre democracia, cidadania e participação popular têm sido temas frequentes não apenas nos debates políticos, mas vêm despertando interesse inclusive no campo do Design devido à introdução de perspectivas críticas acerca dos impactos socioambientais causados pela sua atividade. Alguns efeitos dessas reflexões podem ser percebidos nos constantes processos de atualização do campo, que transformaram o “fazer design” em uma multiplicidade de práticas, metodologias e finalidades, deslocando sua atenção para pensar a elaboração até mesmo de espaços, paisagens, cidade e cultura. Nesse novo cenário, as práticas participativas e colaborativas do Design vêm ganhando destaque e têm sido pensadas por diversos teóricos e profissionais do campo como abordagens capazes de auxiliar a constituição de uma democracia feita de baixo para cima, ensejando, assim, um vasto campo de investigações sobre processos de democratização da democracia. Desse modo, podemos perceber um Design mais próximo das questões sociais e mesmo de instituições públicas, onde algumas de suas práticas vêm sendo experimentadas no sentido de promover tanto processos projetuais mais abertos e participativos, como a elaboração de espaços políticos democráticos capazes de acolher a disputa e o dissenso como aspectos fundamentais na construção das questões que concernem à coletividade. Por outro lado, temos visto a emergência de múltiplas iniciativas sociais autônomas no território da cidade que — ainda que de modo mais experimental e intuitivo — procuram experimentar modos colaborativos e participativos de fazer política e de lutar pelo direito à cidade pela via da democracia direta e da cidadania. A partir das aproximações entre Design, democracia e cidadania, essa pesquisa visa explorar os pontos de contato entre as abordagens participativas e colaborativas do campo do design e as práticas experimentais realizadas em uma iniciativa cidadã na qual a pesquisadora participou durante dois anos no Rio de Janeiro: O Círculo de Cidadania do Bairro de Fátima e Vizinhanças. Desse modo, esse trabalho procura investigar como e em que medida as práticas de design podem contribuir para o engajamento cidadão nos debates e nas ações que concernem à coletividade e para a constituição de espaços políticos democráticos. Além disso, investigaremos como as experiências de democracia, cidadania e participação vividas em campo extrapolam os limites do Design, provocando processos de ressignificação de suas atividades, usos e funções em práticas micropolíticas mais experimentais.

Gestão de resíduos orgânicos em favelas do Rio de Janeiro: práticas colaborativas e sustentáveis a partir do design

Tese

Autoria: Pedro Biz

Início: 2018
Término: –

A pesquisa investiga como práticas participativas e sustentáveis podem contribuir para o desenvolvimento de uma gestão de resíduos orgânicos articulada pelos próprios moradores de favelas, processando o máximo de resíduos orgânicos dentro da comunidade, evitando o acúmulo e o deslocamento; ainda, com potencial de beneficiamento em cultivo de hortas urbanas e geração de renda a partir da comercialização de adubo orgânico. E a partir de um mapeamento de iniciativas, pretendo estabelecer uma abordagem teórica e prática com base no design participativo e na sustentabilidade, de modo que designers possam se envolver junto com as comunidades especificamente na gestão de resíduos orgânicos em favelas do Rio de Janeiro. E, por fim, verificar sua efetuação na implantação de uma unidade de compostagem na favela do Grotão, no Complexo da Penha, em parceria com o Centro de Educação Multicultural, entidade que já é parceira da Esdi através do projeto Sementes Urbanas.

Espaços culturais e design: tecendo relações com o território por meio de processos participativos

Dissertação

Autoria: Flavia Secioso

Início: 2017
Término: 2019

A pesquisa investiga processos participativos que visam potencializar a relação de espaços culturais com o território, com base nas abordagens Design Participativo, Codesign e Design para Inovação Social. A partir do entrelaçamento de duas experiências, um workshop para pensar futuros possíveis do Centro Carioca de Design (CCD) e um mapeamento de espaços culturais em Toronto, a pesquisa produz um arcabouço de direções a serem consideradas em futuras estratégias voltadas para o fortalecimento da relação de espaços culturais com seu território por meio de práticas participativas, assim como aposta no design para a integração destes espaços com comunidade, universidade e parcerias. Esta pesquisa recebeu apoio do Governo do Canadá.