Tese de Doutorado

Autoria: Camille Moraes

 

A pesquisa parte da reflexão sobre o papel do design(er) em tempos turbulentos, orientando-nos por questões da invisibilidade, especificamente no jogo semântico visível-invisível. A partir da leitura inspiradora de Donna Haraway, trabalhamos com o conceito de simpoiésis com o objetivo de refletir sobre alternativas voltadas para as práticas de design, para além das abordagens “clássicas”. Nesse sentido, sinalizamos a necessidade da investigação de meios para tornar invisíveis as fronteiras entre campos como um possível caminho para a resistência e resiliência em cenários de turbulências. A saúde brasileira é o foco da experimentação simpoiética do design por trazer consigo um emaranhado de complexidades, da qual a palavra “participação” surge de forma bastante emblemática, já que o sistema de saúde brasileiro é universal e gratuito, prezando pela partição popular dentre suas diretrizes. Assim, “participar” torna-se palavra-chave, ou melhor, verbo-chave, quando estamos tratando de práticas relacionadas à saúde. Entretanto, a participação é prejudicada pela problemática da invisibilidade social, tendo consequências complicadas para as tomadas de decisão nas políticas públicas de saúde, pela dificuldade em se criar ações que poderiam dialogar e ouvir as vozes dos diversos segmentos da população. Com base nessa problemática, buscamos investigar caminhos, por meio da pesquisa-intervenção apoiada por cartografias, dispositivos de conversação e ferramentas de projeto colaborativas, que contribuam para tornar visíveis pessoas antes esquecida pelo Estado. O local de experimentação é a Clínica da Família situada na região do Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, localidade que sofre com turbulências bastante complexas. Em resumo, a pesquisa está embasada por experiências que possam tornar cidadãos visíveis para as políticas de saúde brasileiras, por meio da formação de arranjo entre disciplinas para “tornar invisíveis” as fronteiras entre os campos do Design e da Saúde.