Tese de Doutorado

Autoria: Imaíra Portela de Araújo Medeiros

Início: 2018
Término: –

A literatura disponível indica que ao longo do processo de institucionalização do design no Brasil, a criação da Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi) em 1962 se deu de maneira controversa. Por um lado nota-se a crítica ao modelo pedagógico advindo da HfG-Ulm e de um modelo de ensino “de costas para o Brasil” (Leite, 2006). Por outro lado, apontam-se para os embates internos e externos desde o momento da fundação da Esdi nos quais já se insinuava a questão da identidade nacional (Souza, 1996) (Anastassakis, 2011). A narrativa sobre uma considerada elite intelectual e financeira no corpo discente da escola também é recorrente (Souza, 1996) (Sacramento, 2005).
Todavia, o quadro de alunos da Esdi mudaria a partir de 2003, ano em que a UERJ adotou pela primeira vez uma medida que contemplava grupos raciais específicos para o acesso ao Ensino Superior. Com isso, um grupo de alunos diverso em muitos aspectos do corpo discente habitual, passou a participar do cotidiano da universidade.
Dada esta conjuntura, pretende-se desenvolver um mapeamento sobre a origem dos alunos cotistas da ESDI/UERJ, seus interesses e expectativas para a entrada no curso, acompanhando a sua trajetória no Ensino Superior. Também é de interesse investigar a maneira com que o conhecimento adquirido na academia se conjuga com o repertório de experiências desses estudantes, de que forma as narrativas sobre cultura, identidade, representatividade e pertencimento aparecem durante sua trajetória no curso de design.
Outro fato motivador é a crise institucional pela qual a UERJ vem passando, intensificada desde o ano de 2016, com o atraso de salários de professores e servidores e ainda o atraso de bolsas permanência para alunos cotistas, que acabou por alavancar na Escola diversos movimentos de resistência. Mais amplamente, a ameaça ás políticas afirmativas tem se tornado mais fortes com o avanço e tomada de poder por governos conservadores, tornando de extrema importância a sua comunicação e visibilização.
A aproximação da academia com pessoas outras origens, que transitam em outros espaços que não as elites, estando muito mais na periferia, é também uma forma de atualizar o design frente às necessidades reais dessas comunidades e frente ao papel social que a Universidade desempenha.Lançar luz sobre este cenário é também uma forma de registrar e gerar informação sobre práticas pedagógicas e como os métodos de ensino e aprendizagem de design reverberam em outros contextos.